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sábado, 22 de outubro de 2011

Professor faz Crucificado seguindo os dados do Santo Sudário


Prof. Juan Manuel Miñarro explica seu trabalho
O escultor espanhol e catedrático da Universidade de Sevilha, Juan Manuel Miñarro estudou durante dez anos o Santo Sudário de Turim. 

Como resultado esculpiu um Crucificado que, segundo o artista, seria uma reprodução científica do estado físico de Nosso Senhor Jesus Cristo depois de sua morte.

O autor não visava provar a existência de Jesus de Nazaré, mas destacar os impressionantes acertos anatômicos constatados no estudo científico do Santo Sudário.

O professor Miñarro disse à BBC Brasil que, embora tenha privilegiado a “exatidão matemática”, “essa imagem só pode ser compreendida com olhos de quem tem fé”.

“A princípio, ela pode chocar pelo realismo, mas ela reproduz com fidelidade a cena do Calvário”, completou. Miñarro levou mais de dois anos para concluir sua obra.

Jesus Crucificado segundo o Santo Sudário:
estreita concordância com as imagens tradicionais
O escultor não trabalhou só. Ele presidiu o trabalho de um grupo de cientistas que levaram adiante uma investigação multidisciplinar do Sudário de Turim.

O crucificado é o único “sindônico” no mundo, pois reflete até nos mais mínimos detalhes os múltiplos traumatismos do corpo estampado no Santo Sudário. 

A imagem representa um corpo de 1,80 metros de altura, de acordo com os estudos no Sudário feitos pelas Universidades de Bolonha e Pavia. Os braços e a Cruz formam um ângulo de 65 graus.

A Coroa de Espinhos tinha forma de casco, cobrindo toda a cabeça, e foi feita com jujuba “ziziphus jujuba”, uma espécie de espinheiro cujas agulhas não se dobram.A pele apresenta exatamente o aspecto de uma pessoa morta há uma hora. O ventre aparece inchado por causa da crucifixão.O braço direito aparece desconjuntado pelo fato do crucificado se apoiar nele à procura de ar durante a asfixia sofrida na Cruz.
Coroa de espinhos segundo o Santo Sudário
O polegar das mãos está virado para dentro, reação do nervo quando um objeto atravessa a munheca.

A escultura reflete também a presença de dois tipos de sangue: o vertido antes da morte e o derramado post mortem. Também aparece o plasma da ferida do costado, de que fala o Evangelho.

A elaboração destes pormenores foi supervisionada por hematologistas. A pele dos joelhos está aberta pelas quedas e pelas torturas.

Há grãos de terra incrustados na carne que foram trazidos de Jerusalém.

As feridas são típicas das produzidas pelos látegos romanos, que incluíam bolas de metal com pontas recurvadas para rasgar a carne.

Não há zonas vitais do corpo atingidas pelos látegos porque os verdugos poupavam essas partes para que o réu não morresse na tortura.

A maçã do rosto do lado direito está inchada e avermelhada pela ruptura do osso malar. 


Foram necessários 10 anos de estudo



A língua e os dedos do pé apresentam um tom azulado, característicos da parada cardíaca.

Por fim, embaixo da frase em hebraico “Jesus Nazareno, rei dos judeus”, a tradução em grego e em latim está escrita da direita para a esquerda, erro habitual naquela época e naquela região. 

A escultura esteve exposta na igreja de São Pedro de Alcântara, Córdoba, Espanha, e saiu em procissão pelas ruas da cidade durante a Semana Santa.

Com os mesmos critérios e técnicas, Miñarro está criando outras imagens que representam a Nosso Senhor em diferentes momentos de sua dolorosa Paixão.

Isaías 53

Cristo de Miñarro venerado em igreja,
São Pedro de Alcântara, Córdoba, Espanha
“Ele subirá como o arbusto diante dele, e como raiz que sai de uma terra sequiosa; ele não tem beleza, nem formosura; vimo-lo, e não tinha aparência do que era, e por isso não tivemos caso dele. 

“Ele era desprezado, o último dos homens, um homem de dores; experimentado nos sofrimentos; o seu rosto estava encoberto; era desprezado, e por isso nenhum caso fizeram dele. 

“Verdadeiramente ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas, e ele mesmo carregou com as nossas dores; nós o reputamos como um leproso, como um homem ferido por Deus e humilhado. 

“Mas foi ferido por causa das nossas iniqüidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e nós fomos sarados com as suas pisaduras.” (53, 2-5).


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O que é a Cruz ?


A cruz é um dos símbolos mais antigos. Sua presença é reconhecida já nas antigas civilizações, como no Antigo Egito, na Ásia, na Europa, na Índia e em Israel. Na Ilha grega de Creta, em Cnossos, foi achada uma cruz de mármore do séc. XV a.C.Ela representa uma divisão do mundo, indicando os pontos cardeais, tornando-se a base de todos os símbolos de orientação (bússolas, rosa dosventos, horizontal x vertical etc.). O cristianismo enriqueceu o simbolismo da cruz, sintetizando nela a história da salvação, tornando-a mais que uma representação de Cristo. Jesus lhe institui um novo e definitivo significado, com sua paixão redentora.No Novo Testamento, Jesus afirma que, para segui-lo, devemos tomar nossa própria cruz, perdendo a vida para salvá-la (Marcos 8, 34-35). A Cruz é otriunfo de Cristo, pois nela aconteceu o derramamento do seu sangue, como prenunciado nos sacrifícios do Antigo Testamento: “sem derramamentode sangue não há remissão” (Hebreus 9,22). Na cruz de Cristo, também experimentamos a nossa morte, para então podermos experimentar “o poder dasua ressurreição” (Filipenses 3,10-11).Aquele que não morre com Cristo não pode viver com Ele, haja vista ser a cruz um sinal para a nova existência na fé, na qual somos conduzidos pelo espíritode Jesus e não mais por nossas paixões. Talvez seja por isso que o símbolo da Cruz incomode algumas pessoas que não se sentem prontas para assumir a proposta de Cristo. Por isso, tentam retirá-la dos lugares públicos. A cruz com o Crucificado é uma presença silenciosa (nas igrejas, casas, escolas, escritórios, tribunais, bancos, lojas) que, mesmo ignorada por muitos de nós, remete à dor humana, à solidão da morte, gritando a cada instante em milhares de pessoas que sofrem. Olhar para a cruz com o Cruci ficado nos intima a responder o lamento “povo meu, que te fiz eu, ou em que te contristei?” (Miqueias 6,3). Se conseguirmos chegar a essa resposta, encontraremos a razão pela qual devemos carregar nossa própria cruz, seguindo a Cristo com nossas dores e nossas lutas. A vida cristã nos convoca a renunciar ao pecado. Porém, só conseguiremos fazê-lo quando amarmos a cruz e iniciarmos uma luta constante pela fidelidade a Nosso Senhor e aos nossos irmãos. Assim, poderemos cantar: “Vitória, tu reinarás; ó cruz, tu nos salvarás”.por Pe. Heitor de Menezes, cmf.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O sinal da Cruz


Por Luís Alonso Schöckel via Frei Maffei, OFM

“Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Assim começa a missa e assim começam muitas das nossas orações. E não nos damos conta daquilo que estamos fazendo, talvez porque tenhamos pressa de rezar. Temos a impressão de que fazer o sinal da cruz não é rezar, mas é um simples pórtico de acesso à oração. Não é que façamos um rabisco no ar, apenas reconhecível; fazemo-lo corretamente, mas sem atenção particular, porque temos que recitar uma Ave Maria ou um Pai Nosso, ou estamos para celebrar a missa. No entanto, há poucos momentos de oração tão intensos, tão concentrados, como fazer o sinal da cruz.



Em português temos dois verbos e dois gestos: “benzer-se” (fazer o sinal da cruz) e “persignar-se”. “Benzer” equivale a santificar ou consagrar; a sua forma é uma cruz e uma invocação trinitária. “Persignar-se” é aumentativo e iterativo, como persuadir, perseguir, ou perturbar, e se refere mais propriamente à tríplice cruz “na fronte, nos lábios e no peito”. As palavras que se pronunciam são uma súplica de proteção: “Pelo sinal da santa cruz, livrai-nos, Senhor, nosso Deus, dos nossos inimigos”. Função protetora, diante da função consagradora do fazer o sinal da cruz.

Nesta primeira reflexão gostaria de deter-me no sinal da cruz com a invocação trinitária que está no início da nossa celebração eucarística. Há dois elementos a considerar: o sinal e o nome.

O sinal é um uso cultural muito antigo, que conserva a sua validade em nossos dias. Sinal, marca, contra-senha, etiqueta, inscrição, tabuleta etc.: a pluralidade dos sinônimos indica a presença multiforme desta prática.

Assim se indicava a origem e a propriedade: um edito emanado pelo rei, uma casa propriedade de uma personagem. O costume subsiste em nossos dias, com mudanças acidentais. Grande parte da publicidade, se não toda, baseia-se na marca, que o consumidor deve reconhecer. Vemos uma circunferência com três raios, e reconhecemos a marca do carro; o mesmo acontece com detergentes, bebidas, filmes. Existe a marca registrada. Analogamente, porém, usa-se colocar uma etiqueta, nos próprio livros, e bordam-se algumas letras nos lençóis ou nos lenços. O uso moderno é tão difuso e notório que até podemos sofrer seu influxo em nível sublimar. E com isto compreendemos sem dificuldade um bom número de textos bíblicos.

O contexto cristão. São Paulo diz que “onde há um cristão, há uma nova criação”, ou nova humanidade; há uma nova origem, uma posse nova. O cristão se incorpora a Cristo mediante a fé e permanece marcado. O batismo é um sinal, uma marca vitalícia que não se apaga; esta marca não é outra senão a do Espírito, imposto por Deus; com ele Deus santifica, consagra. A partir desse momento há um homem novo, porque é filho de Deus; ao ser adotado recebe uma participação da vida divina, começa a viver com nova respiração: “Nele também vós, tendo ouvido a Palavra da verdade o evangelho da vossa salvação e nela tendo crido, fostes selados pelo Espírito da promessa, o Espírito Santo, que é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que ele adquiriu para o seu louvor e glória” (Ef 1,13-14). “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, pelo qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef 4,30).

O nascimento para a vida nova exprime-se eficazmente no símbolo da água como seio fecundo da Igreja; acrescenta-se como gesto o sinal da cruz e a invocação ou dedicação ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Sinal e nome.

Em língua moderna, quando alguém age ou faz algo “em nome de”, está representando outra pessoa ou entidade; mas não se usa a expressão “consagrar, dedicar ao nome de N.”, mas simplesmente “dedicar a N.”, se excetua a expressão “pôr em nome de” como passagem de propriedade. Por isso a fórmula batismal: “eu te batizo em nome do Pai”, poderia ser interpretada como se o oficiante agisse “em representação” do Pai. O sentido verdadeiro é uma dedicação total, uma consagração, um pôr no nome (na posse) da Santíssima Trindade.

É tão grande o sinal da cruz e o nem trinitário sobre esta criatura, que ela começa a ser “super-homem”, filho de Deus assinalado para sempre. Mas a nossa vida não é somente o fato radical ontológico, o fundamento último indestrutível, porque nós somos consciência e liberdade. O nosso ser fecundo se desenvolve e se articula através de ações, pequenas ou grandes, diárias e decisivas, íntimas e visíveis, das quais temos consciência, nos lembramos ou nos esquecemos. O homem é ser unitário, profundo, que se realiza em múltiplos aspectos.

Pelo fato de agir como cristão, podemos dizer que toda a atividade de um homem está marcada. Mas visto que nos possuímos através da consciência reflexa, e possuímos o nosso agir através da liberdade, temos que marcar conscientemente todas as nossas obras e atividades, todos os nossos dias, com a marca e o sinal do cristão. O que subsiste de profundo em nosso existir, manifesta-se em uma atividade que enfrentamos, no novo dia que desponta trazendo-nos o programa dos nossos compromissos, e talvez alguma gratificação imprevista. Então assinalamos com a cruz esse dia, essa viagem, essa ação, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Assinalamos a nossa atividade e nosso repouso, as alegrias e as dores, com o sinal da cruz e com o nome trinitário, e assim realizamos o nosso ser cristão no curso da vida. E também a nossa morte será marcada pelo sinal da cruz. Não que as obras e ações tenham necessidade de nova consagração, quando o núcleo profundo da existência já está consagrado pelo batismo; mas com esse ato acrescentamos a toda ação o esplendor da consciência, o dinamismo da liberdade.

E o que significa “assinalar” a nossa atividade com o sinal da cruz? A cruz significa sacrifício por amor, é a morte para a ressurreição. O sinal da cruz sobre as nossas ações significa anular o nosso egoísmo e libertar para o amor; significa renunciar a vaidade, ao prestígio, ao desejo de possuir e dominar, para consagrar a obra a Cristo. É um sacrifício se si, para uma vida mais alta. Uma obra que realizo por pura vaidade não pode levar o sinal da cruz, não está crucificado, não está cristãmente santificada; uma obra de apostolado, por amor do próximo, é oferecida e consagrada: “Ninguém de nós vive e ninguém morre para si mesmo, porque se vivemos é para o Senhor que vivemos e se morremos é para o Senhor que morremos. Portanto, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,7-8).

Anular o sentido egoísta de uma ação é marcá-la com a cruz; e é também libertá-la e torná-la disponível por um dinamismo novo, trinitário. Está aqui a grandeza e a responsabilidade de santificar-se.

Então, quanto começamos a obra mais importante as semana ou do dia, quando iniciamos a eucaristia, benzemo-nos no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e o sentido trinitário da celebração eucarística, que tornará a se exprimir nos momentos sucessivos, é proclamado desde o início. T


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